O grande perigo do Modismo Ecológico

novembro 28, 2008

Por Paulo Sousa Sarmento*, para o PSIU BIOLOGIA.

No Ocidente, as discussões ecológicas podem ser remontadas ao trabalho pioneiro de George Perkins Marsh, que lançou em 1864 o livro O Homem e a Natureza ou Geografia Física Modificada pela Ação do Homem, um dos primeiros textos a denunciar sistematicamente as agressões humanas sobre a natureza. De lá até agora muita coisa foi produzida e muita gente séria apareceu.

Podemos citar o nomes de Albert Schweitzer, Aldo Leopoldo, Arne Naess, Gregory Bateson, Rachel Carson, James Lovelock, Carl Sagan, Fritjof Capra, Al Gore, além de muitos outros. Mais recentemente, dois trabalhos chamaram atenção: o livro de Rachel Carson, Silent Spring (Primavera Silenciosa), publicado em 1964, e o filme de Al Gore, An Inconvenient Truth (Uma Verdade Inconveniente), lançado em 2006. Ambos os trabalhos tiveram grande repercussão, bem como chamaram atenção para os graves problemas ecológicos pelos quais passavam o planeta.

O livro de Carson denunciava o uso discriminado de pesticidas, particularmente, do DDT, veneno extremamente nocivo, ainda utilizado hoje, inclusive em muitos lugares do Brasil, e em muitos países pelo mundo afora. Carson mostrou que o uso indiscriminado dos pesticidas estava fazendo com que diversas formas de vida desaparecessem, por isso mesmo o título do livro referir-se ao silêncio da natureza. A primavera foi silenciada, pois não há mais pássaros, grilos … O filme de Al Gore denuncia os problemas relacionados diretamente ao aquecimento global. É uma visão catastrófica e apocalíptica de nosso futuro. Pessimista e ao mesmo tempo eivado de esperança, o filme mostra de forma clara qual nossa condição atual e o que poderá ser nosso futuro, caso alguma coisa não seja feita urgentemente.

gato-por-lebre44Estamos falando de um problema sério e de gente séria, que realmente quer que as coisas sejam diferentes. Muita gente vem utilizando a questão ecológica para auto-favorecimento. Tem gente que quer vender livro, existem empresas que querem atrair clientes com o apelo ecológico, e por ai vai. Vez por outra, vemos propagandas apelativas na televisão, no rádio, nas revistas. Será que realmente essa gente está interessada em salvar o planeta, ou é apenas mais uma via para o acúmulo exacerbado de capital? É preciso ter muito cuidado com o que se tem apresentado sob o rótulo de ecológico. Existe muito lobo vestido com pele de cordeiro.

 O modismo ecológico é muito perigoso, pois é enganoso. Contribuímos e pensamos que eles estão fazendo algo em prol da natureza e do planeta, quando na realidade tudo acaba sendo revertido para o bem próprio. É preciso que os governos de todos os cantos da Terra investiguem as ações travestidas de ecológicas, mas que são essencialmente destrutivas. Por isso, eu e você podemos investigar e denunciar. Nosso compromisso com a salvação do planeta é muitíssimo sério. A questão ecológico traz em seu bojo um caráter ético, indubitavelmente. Por isso mesmo, encontraremos nesta arena muita gente anti-ética. Portanto, se você não consegue ser minimamente ecologicamente correto, não seja ecologicamente anti-ético.

A natureza e o planeta agradecem.

 *Mestre em Ciências Sociais, UFBA; Professor de História e Filosofia da Ciência na Faculdades Cathedral.

Nós e o Clima

novembro 14, 2008

Último vídeo da trilogia Pense de Novo convida a pensar sobre novos hábitos.

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Soluções para conter o aquecimento global na área de energia e novas tecnologias é o tema do último vídeo da trilogia Pense de Novo do WWF-Brasil. A série de três animações chama a atenção para as mudanças climáticas, seus principais efeitos, causas e soluções. Veja o vídeo:

Assista aos outros vídeos da trilogia Pense de Novo.


Cogumelos podem ser ‘aliado contra aquecimento global’

novembro 5, 2008

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Cogumelos podem se tornar um aliado inesperado na luta contra o aquecimento global, segundo uma pesquisa publicada na revista acadêmica Global Change Biology.

cogumelosSegundo o repórter de meio ambiente da BBC Matt McGrath, havia a expectativa de que à medida que as temperaturas subissem, as florestas do Hemisfério Norte passariam a liberar mais dióxido de carbono, mas a pesquisa realizada por cientistas americanos mostrou o contrário, provavelmente devido à ação dos cogumelos no processo.

As florestas do Hemisfério Norte agem como um depósito vital de dióxido de carbono, absorvendo cerca de 30% da substância contida no solo da Terra.

O aquecimento global deve ter um impacto grande em florestas do Alasca, Canadá e Escandinávia, com a expectativa de que as temperaturas subam em até 7º C até 2100.

Os cientistas acreditavam que um clima mais quente acabasse por fazer com que essas florestas liberassem grande parte do dióxido de carbono que armazenam.

Em um experimento realizado no Alasca, os pesquisadores aumentaram a temperatura do solo em 1º C e descobriram que a liberação de dióxido de carbono caía pela metade se comparada com o que acontece quando o solo está mais frio.

Eles acreditam que cogumelos que crescem no solo dessas florestas podem ajudar a desacelerar a liberação do dióxido de carbono.

Segundo os pesquisadores, os cogumelos secam quando se aquecem e produzem menos CO2.

Segundo McGrath, os cientistas se disseram surpresos com a descoberta, mas dizem que o fenômeno pode contrabalançar parte do dióxido de carbono sendo liberado na atmosfera.

Eles acreditam que processos naturais como esse podem ajudar o mundo a ganhar tempo até que políticas efetivas sejam implementadas.


AQUECIMENTO GLOBAL – Aspectos Regionais e Locais

outubro 30, 2008

Segundo os estudos divulgados em 02/02/2007 em Paris, pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças do Clima), nos próximos 100 anos a temperatura média do planeta aumentará de 2,0 a 4,5 °C.

As previsões para a América do Sul são de quebra de safras, causadas principalmente pela maior irregularidade e menor quantidade de chuvas; aumento de doenças, e aceleração da extinção de animais e plantas. O aumento da temperatura média do ar no continente será de 1,5 a 2,0 °C até o ano de 2040. Baseado nestas estimativas, uma pessoa que tenha nascido em Boa Vista em 2000, iniciou sua vida nos atuais 27,8 °C de temperatura média do ar (anual) e experimentará, ao longo de sua vida, temperaturas médias anuais cada vez mais próximas de 30 °C. O que dizer das temperaturas máximas, que hoje estão em torno de 38 °C e poderão ultrapassar 40 °C em 2040?
Embora ainda não calculados, certamente os impactos econômicos já atingem o cidadão, o Governo e a iniciativa privada. Hoje já se gasta mais energia para manter a temperatura ambiente agradável em hospitais, escolas e repartições públicas que no tempo da infância de nossos avós. E o que é pior, isto tende a piorar. Silenciosamente, os custos de vida tenderão a aumentar junto com a temperatura. Mas os impactos não param por aí.

Roraima já sofreu com dois drásticos e recentes eventos de El Nino: (a) 1997/98; o mais forte do século XX e (b) 2002/03. No extremo norte da Amazônia brasileira, onde Roraima está inserido, a conseqüência climática mais evidente foi a antecipação e o prolongamento da estação seca. Nestes períodos de secas intensas e longas, os níveis de água de igarapés, rios e lagos são fortemente afetados, influenciando diretamente na disponibilidade de água para irrigação de lavouras e para a pecuária. Como conseqüência das mudanças climáticas, a variação da intensidade e duração do período chuvoso deverá levar a maiores riscos de quebra de safras agrícolas impactando o agronegócio.

Numa resposta natural à seca, as florestas perdem folhas, diminuem o seu crescimento e transpiração (e evaporação) para a economizar água. Com a seca, a umidade relativa do ar e a umidade do material depositado sobre o solo da floresta (galhos, folhas, troncos mortos), também diminuem. Esta situação coincide justamente com o período de maior insolação e ventos, conhecido como o período de “verão” em Roraima. As queimadas na agricultura, encontrando condições semelhantes aquelas dos anos de El-Niño, baixa umidade do ar e alta temperatura, poderão dar origem a novos incêndios florestais, talvez de maiores proporções, tornando cada vez mais escassas as matérias primas florestais, afetando também a biodiversidade e o estoque de água subterrâneo.

Apresentadas algumas prováveis conseqüências das alterações climáticas para Roraima, baseadas em inferências sobre o relatório do IPCC que contempla dados gerais para a América do Sul, é importante provocar uma última questão: Como o desenvolvimento do Estado poderá seguir caminhos de precaução em relação a estas alterações climáticas que já vêm afetando os nossos recursos naturais, a economia e a qualidade de vida da população? Precisamos refletir e criar soluções responsáveis para o futuro. Se observarmos bem, ele já está se fazendo presente!

Autores:
Haron Abrahim Magalhães Xaud 1
Maristela Ramalho Xaud 1
Reinaldo Imbrozio Barbosa 2

1 Pesquisadores da Embrapa Roraima
2 Pesquisador do INPA


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