Brasil quer reduzir em 4,8 bilhões de toneladas emissões de dióxido de carbono

dezembro 2, 2008

Envolverde/MMA

Por Daniela Mendes, do MMA

O governo brasileiro quer reduzir em 72% o índice de desmatamento na Amazônia até 2017. O Plano Nacional sobre Mudança do Clima, lançado na segunda-feira (1º/12) no Palácio do Planalto, prevê a redução de 40% no primeiro quadriênio, 30% no segundo e 30% no terceiro, atingindo cinco mil Km2 em 2017. Isso equivale a 4,8 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) a menos na atmosfera. O documento aponta outras medidas a serem tomadas nas áreas de produção de energia elétrica, álcool, biodiesel e carvão. “Isso é mais do que o esforço de todos os países desenvolvidos. A Inglaterra, por exemplo, quer reduzir 80% até 2050″, avaliou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

O documento, elaborado com a participação de 17 ministérios, traz, pela primeira vez, metas voluntárias nacionais para redução de emissões de gás carbônico provocadas pelo desmatamento. As metas de redução têm como base a média de desmatamento entre 1996 e 2005 que é de 19 mil km².

No Brasil, o desmatamento e as queimadas são responsáveis por 75% das emissões de gases causadores do efeito estufa. Segundo Minc, o estabelecimento de metas de redução de emissões – que enfrentava resistência no governo brasileiro – só foi possível porque mudou a relação política dentro do governo e a percepção da sociedade e de outros segmentos sobre o tema.

“O bom de ter meta é que cada um tem que fazer sua parte”, disse Minc ao afirmar que não só o governo federal, mas a sociedade como um todo tem de assumir seu papel, suas responsabilidades e trabalhar para que os objetivos do plano sejam alcançados.

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Uma hora vai voltar pra você

dezembro 1, 2008

minkoff


O grande perigo do Modismo Ecológico

novembro 28, 2008

Por Paulo Sousa Sarmento*, para o PSIU BIOLOGIA.

No Ocidente, as discussões ecológicas podem ser remontadas ao trabalho pioneiro de George Perkins Marsh, que lançou em 1864 o livro O Homem e a Natureza ou Geografia Física Modificada pela Ação do Homem, um dos primeiros textos a denunciar sistematicamente as agressões humanas sobre a natureza. De lá até agora muita coisa foi produzida e muita gente séria apareceu.

Podemos citar o nomes de Albert Schweitzer, Aldo Leopoldo, Arne Naess, Gregory Bateson, Rachel Carson, James Lovelock, Carl Sagan, Fritjof Capra, Al Gore, além de muitos outros. Mais recentemente, dois trabalhos chamaram atenção: o livro de Rachel Carson, Silent Spring (Primavera Silenciosa), publicado em 1964, e o filme de Al Gore, An Inconvenient Truth (Uma Verdade Inconveniente), lançado em 2006. Ambos os trabalhos tiveram grande repercussão, bem como chamaram atenção para os graves problemas ecológicos pelos quais passavam o planeta.

O livro de Carson denunciava o uso discriminado de pesticidas, particularmente, do DDT, veneno extremamente nocivo, ainda utilizado hoje, inclusive em muitos lugares do Brasil, e em muitos países pelo mundo afora. Carson mostrou que o uso indiscriminado dos pesticidas estava fazendo com que diversas formas de vida desaparecessem, por isso mesmo o título do livro referir-se ao silêncio da natureza. A primavera foi silenciada, pois não há mais pássaros, grilos … O filme de Al Gore denuncia os problemas relacionados diretamente ao aquecimento global. É uma visão catastrófica e apocalíptica de nosso futuro. Pessimista e ao mesmo tempo eivado de esperança, o filme mostra de forma clara qual nossa condição atual e o que poderá ser nosso futuro, caso alguma coisa não seja feita urgentemente.

gato-por-lebre44Estamos falando de um problema sério e de gente séria, que realmente quer que as coisas sejam diferentes. Muita gente vem utilizando a questão ecológica para auto-favorecimento. Tem gente que quer vender livro, existem empresas que querem atrair clientes com o apelo ecológico, e por ai vai. Vez por outra, vemos propagandas apelativas na televisão, no rádio, nas revistas. Será que realmente essa gente está interessada em salvar o planeta, ou é apenas mais uma via para o acúmulo exacerbado de capital? É preciso ter muito cuidado com o que se tem apresentado sob o rótulo de ecológico. Existe muito lobo vestido com pele de cordeiro.

 O modismo ecológico é muito perigoso, pois é enganoso. Contribuímos e pensamos que eles estão fazendo algo em prol da natureza e do planeta, quando na realidade tudo acaba sendo revertido para o bem próprio. É preciso que os governos de todos os cantos da Terra investiguem as ações travestidas de ecológicas, mas que são essencialmente destrutivas. Por isso, eu e você podemos investigar e denunciar. Nosso compromisso com a salvação do planeta é muitíssimo sério. A questão ecológico traz em seu bojo um caráter ético, indubitavelmente. Por isso mesmo, encontraremos nesta arena muita gente anti-ética. Portanto, se você não consegue ser minimamente ecologicamente correto, não seja ecologicamente anti-ético.

A natureza e o planeta agradecem.

 *Mestre em Ciências Sociais, UFBA; Professor de História e Filosofia da Ciência na Faculdades Cathedral.

Meia Amazônia Não

novembro 14, 2008

greenpeace

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Nós e o Clima

novembro 14, 2008

Último vídeo da trilogia Pense de Novo convida a pensar sobre novos hábitos.

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Soluções para conter o aquecimento global na área de energia e novas tecnologias é o tema do último vídeo da trilogia Pense de Novo do WWF-Brasil. A série de três animações chama a atenção para as mudanças climáticas, seus principais efeitos, causas e soluções. Veja o vídeo:

Assista aos outros vídeos da trilogia Pense de Novo.


Revolução Energética, a missão: gerar 50% da eletricidade mundial com renováveis

novembro 7, 2008

greenpeace

Berlim (Alemanha) e São Paulo (SP) — Segundo estudo lançado pelo Greenpeace, investimentos em fontes limpas podem resultar em indústria com faturamento de US$ 360 bi/ano.

Metade da eletricidade consumida no mundo poderia ser gerada por fontes renováveis, diz a segunda edição do estudo [R]evolução Energética: Perspectivas para uma Energia Global Sustentável (clique aqui para o sumário executivo do relatório em português, arquivo pdf), lançado nesta segunda-feira (27/10) na Alemanha.

Atualmente, apenas 13% da demanda mundial de energia primária é suprida pelas renováveis. De acordo com a pesquisa elaborada pelo Centro Aeroespacial da Alemanha, por ecomenda do Greenpeace e da Comissão Européia de Energia Renovável (EREC, na sigla em inglês), investimentos agressivos em renováveis poderiam resultar em uma indústria com faturamento de US$ 360 bilhões anuais.

Para ler o relatório na íntegra, em inglês, clique aqui (arquivo pdf, 212 páginas)

Dentro do cenário traçado, as termelétricas fósseis desapareceriam, o que geraria uma economia de US$ 18 trilhões na compra de combustíveis fósseis – valor mais que suficiente para financiar o aumento das renováveis na matriz energética mundial.

A adoção de fontes alternativas de energia é fundamental para combater as mudanças climáticas, que já estão alterando ecossistemas e provocando cerca de 150 mil mortes por ano. Um aquecimento global médio de 2°C ameaçará milhões de pessoas com o aumento de fome, malária, inundações e escassez de água. O principal gás responsável pelo efeito estufa é o dióxido de carbono (CO2), produzido pela queima de combustíveis fósseis para a geração de eletricidade e transporte.

O cenário [R]evolução Energética tem como meta para 2050 a redução de 50% das emissões mundiais de CO2, em relação aos níveis de 1990, a fim de manter o aumento da temperatura global abaixo de 2°C. A eficiência energética tem o papel principal na redução destas emissões. O estudo considera a adoção de padrões rígidos de eficiência, essenciais para a redução da demanda energética e também para a redução dos custos energéticos globais. Esta redução pode ser obtida em indústrias, residências e nos setores comercial e público.  

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Cogumelos podem ser ‘aliado contra aquecimento global’

novembro 5, 2008

bbc

Cogumelos podem se tornar um aliado inesperado na luta contra o aquecimento global, segundo uma pesquisa publicada na revista acadêmica Global Change Biology.

cogumelosSegundo o repórter de meio ambiente da BBC Matt McGrath, havia a expectativa de que à medida que as temperaturas subissem, as florestas do Hemisfério Norte passariam a liberar mais dióxido de carbono, mas a pesquisa realizada por cientistas americanos mostrou o contrário, provavelmente devido à ação dos cogumelos no processo.

As florestas do Hemisfério Norte agem como um depósito vital de dióxido de carbono, absorvendo cerca de 30% da substância contida no solo da Terra.

O aquecimento global deve ter um impacto grande em florestas do Alasca, Canadá e Escandinávia, com a expectativa de que as temperaturas subam em até 7º C até 2100.

Os cientistas acreditavam que um clima mais quente acabasse por fazer com que essas florestas liberassem grande parte do dióxido de carbono que armazenam.

Em um experimento realizado no Alasca, os pesquisadores aumentaram a temperatura do solo em 1º C e descobriram que a liberação de dióxido de carbono caía pela metade se comparada com o que acontece quando o solo está mais frio.

Eles acreditam que cogumelos que crescem no solo dessas florestas podem ajudar a desacelerar a liberação do dióxido de carbono.

Segundo os pesquisadores, os cogumelos secam quando se aquecem e produzem menos CO2.

Segundo McGrath, os cientistas se disseram surpresos com a descoberta, mas dizem que o fenômeno pode contrabalançar parte do dióxido de carbono sendo liberado na atmosfera.

Eles acreditam que processos naturais como esse podem ajudar o mundo a ganhar tempo até que políticas efetivas sejam implementadas.


Aqüífero Guarani

novembro 5, 2008

Águas do Aqüífero Guarani estão armazenadas há ao menos 10 mil anos.

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O Aqüífero Guarani é um dos maiores reservatórios subterrâneos de água doce do mundo e se estende por quatro países: Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. No Brasil, o Aqüífero Guarani está localizado sob os Estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.  Esse sistema hídrico abastece total ou parcialmente mais de 500 cidades brasileiras para uma população estimada em 29,9 milhões de habitantes.
 
De acordo com a Associação Brasileira de Águas Substerrâneas (Abas), é subterrânea toda a água que ocorre abaixo da superfície da Terra, preenchendo os poros ou vazios intergranulares das rochas sedimentares, ou as fraturas, falhas e fissuras das rochas compactas. Já um aqüífero é uma formação geológica do subsolo, constituída por rochas permeáveis, que armazena água em seus poros ou fraturas.
 
As águas do Aqüífero Guarani abrangem 1,2 milhão de quilômetros quadrados e estão armanezadas há pelo menos 10 mil anos. Em entrevista à Agência Brasil, o professor Ernani Francisco da Rosa Filho, da Universidade Federal do Paraná e estudioso do aqüífero desde os anos 70, diz que é urgente a necessidade de se fazer um mapeamento definindo as áreas onde existe água potável e onde não há. Em algumas pontas, as águas atingem temperaturas superiores a 30ºC, favorecendo o uso em balneários e na agroindústria.
 
Além da exaustão (ou seja, o fim das águas), um dos principais desafios enfrentados para a conservação do aqüífero são as perfurações domésticas desautorizadas. Desinformadas, muitas famílias usam apenas um cano para escoar a água, que acaba desmanchando a terra e empurrando o cano para baixo. Além disso, a contaminação das água põe em risco todo o manancial. A mais perigosa é a contaminação por produtos químicos, que pode acarretar danos irreversíveis.
 
De acordo com a Abas, muitos dos principais aqüíferos do mundo estão sendo exauridos com uma rapidez maior do que a taxa natural de recarga das águas. A mais severa exaustão de água subterrânea ocorre na Índia, China, Estados Unidos, norte da África e Oriente Médio, causando um déficit hídrico mundial de cerca de 200 bilhões de metros cúbicos por ano. Na Cidade do México e algumas localidades da Califórnia, nos Estados Unidos, o esgotamento das águas subterrâneas já provocou até mesmo o afundamento dos solos situados sob os aqüíferos.

Site: clicRBS


Nazismo também quis a Amazônia

novembro 4, 2008

Por Marcelo Crescenti, da Agência Amazônia

Alemães acreditavam que uma base no norte da América do Sul diminuiria a influência dos Estados Unidos na região.

FRANKFURT – Segundo o livro “Das Guayana-Projekt” (O Projeto Guiana, na tradução livre) expedições de cientistas alemães à Amazônia entre 1935 e 1937 levaram à idéia de criar uma “área nazista” na região. O autor Jens Glüsing, correspondente da revista alemã “Der Spiegel” no Brasil, cita planos nazistas para invadir o Suriname e a Guiana Francesa com tropas que desembarcariam na Amazônia brasileira.

A área seria “perfeita para ser colonizada pela raça nórdica ariana”, disse o autor da idéia, o alemão Otto Schulz-Kampfhenkel, em uma carta ao então todo-poderoso general nazista Heinrich Himmler.

Os nazistas chegaram a se interessar pelo plano mirabolante, já que segundo Schulz-Kampfhenkel “uma base no norte da América do Sul diminuiria a influência dos Estados Unidos na região”. “Se trata de um dos capítulos mais estranhos da era nazista”, diz Glüsing, que para seu livro fez pesquisas na Alemanha e no Brasil.

A obra foi publicada na Alemanha este ano e está tendo bastante repercussão depois que a revista “Der Spiegel” pôs trechos do livro em seu portal de história na internet, einestages.de, nesta semana.

Segundo o autor, o plano não foi adiante porque os nazistas tinham outros projetos mais importantes a realizar e a Guiana Francesa estava sob o comando do regime de Vichy, na França, que era uma marionete dos nazistas. Submarinos alemães usaram a Guiana Francesa como base para atacar navios que trafegavam na região, diz Glüsing. O diretor do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, o alemão Christoph Jaster, organizou uma expedição três anos atrás para localizar pistas das expedições nazistas. Em seu livro, Jens Glüsing diz que “tudo que ele encontrou foi o túmulo de um colega de Schulz-Kampfhenkel.” A cruz de madeira no meio da floresta ilustra a capa do livro.

(*) Jornalista. Escreveu de Frankfurt para a BBC Brasil, da qual a Agência Amazônia é parceira.

Crédito da imagem: Der Spiegel / BBCBrasil
(Do site Envolverde/Agência Amazônia)


Fungo que pode produzir combustível é descoberto na Patagônia

novembro 4, 2008

bbc

Cientistas americanos descobriram na Patagônia, região no sul da Argentina, um fungo capaz de produzir componentes como os que se encontram na gasolina diesel.

O fungo poderia ser potencialmente uma nova fonte de energia limpa, segundo o artigo publicado na revista científica Microbiology.

O fungo, batizado de Gliocladium roseum, foi descoberto em uma árvore ulmo (Eucryphia cordifolia) por cientistas da universidade do Estado de Montana, nos Estados Unidos.

O Gliocladium roseum gera várias moléculas diferentes que produzem hidrogênio e carbono, e que são também encontradas no óleo diesel. Os cientistas trabalham agora em criar o que chamam de “mycodiesel”, um combustível limpo a partir da nova descoberta.

“Este é o único organismo que demonstrou ser capaz de produzir esta combinação importante de substâncias combustíveis”, disse o professor Gary Strobel, que conduziu a pesquisa.

“O fungo pode inclusive produzir estes combustíveis de diesel a partir da celulose, que poderia ser uma melhor fonte de biocombustível que qualquer uma das que se usa atualmente”, opina o cientista.

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Brasil ultrapassa meta para a água

novembro 1, 2008

Por Naná Prado, do Mercado Ético

Pnad-2007 revelou que, com oito anos de antecedência, país atingiu a meta para água. Mas, ainda há desperdício: da produção de carnes e grãos até carros e aço.

Quanto você pagaria por um copo de água depois de um dia inteiro de caminhada debaixo de sol forte? E quanto você pagaria por uma ducha, mesmo que rápida, após três dias sem banho?

Além de ter um uso múltiplo e uma importância inquestionável, a água passou a ter também muitos valores. São dimensões e significados: a água como símbolo da vida, com valor religioso, estético, político, cultural e até econômico. Há quem diga que impor um valor econômico à água fará com que ela perca seu valor sagrado e, para muita gente, a água não é e não pode ser transformada em mercadoria. O fato é que hoje pagamos, e não é pouco, pela água que utilizamos. É de se pensar, todavia, quanto vai custar daqui alguns anos a carne bovina, já que são necessários 10.000 litros de água para produzir um quilo da carne.

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AQUECIMENTO GLOBAL – Aspectos Regionais e Locais

outubro 30, 2008

Segundo os estudos divulgados em 02/02/2007 em Paris, pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças do Clima), nos próximos 100 anos a temperatura média do planeta aumentará de 2,0 a 4,5 °C.

As previsões para a América do Sul são de quebra de safras, causadas principalmente pela maior irregularidade e menor quantidade de chuvas; aumento de doenças, e aceleração da extinção de animais e plantas. O aumento da temperatura média do ar no continente será de 1,5 a 2,0 °C até o ano de 2040. Baseado nestas estimativas, uma pessoa que tenha nascido em Boa Vista em 2000, iniciou sua vida nos atuais 27,8 °C de temperatura média do ar (anual) e experimentará, ao longo de sua vida, temperaturas médias anuais cada vez mais próximas de 30 °C. O que dizer das temperaturas máximas, que hoje estão em torno de 38 °C e poderão ultrapassar 40 °C em 2040?
Embora ainda não calculados, certamente os impactos econômicos já atingem o cidadão, o Governo e a iniciativa privada. Hoje já se gasta mais energia para manter a temperatura ambiente agradável em hospitais, escolas e repartições públicas que no tempo da infância de nossos avós. E o que é pior, isto tende a piorar. Silenciosamente, os custos de vida tenderão a aumentar junto com a temperatura. Mas os impactos não param por aí.

Roraima já sofreu com dois drásticos e recentes eventos de El Nino: (a) 1997/98; o mais forte do século XX e (b) 2002/03. No extremo norte da Amazônia brasileira, onde Roraima está inserido, a conseqüência climática mais evidente foi a antecipação e o prolongamento da estação seca. Nestes períodos de secas intensas e longas, os níveis de água de igarapés, rios e lagos são fortemente afetados, influenciando diretamente na disponibilidade de água para irrigação de lavouras e para a pecuária. Como conseqüência das mudanças climáticas, a variação da intensidade e duração do período chuvoso deverá levar a maiores riscos de quebra de safras agrícolas impactando o agronegócio.

Numa resposta natural à seca, as florestas perdem folhas, diminuem o seu crescimento e transpiração (e evaporação) para a economizar água. Com a seca, a umidade relativa do ar e a umidade do material depositado sobre o solo da floresta (galhos, folhas, troncos mortos), também diminuem. Esta situação coincide justamente com o período de maior insolação e ventos, conhecido como o período de “verão” em Roraima. As queimadas na agricultura, encontrando condições semelhantes aquelas dos anos de El-Niño, baixa umidade do ar e alta temperatura, poderão dar origem a novos incêndios florestais, talvez de maiores proporções, tornando cada vez mais escassas as matérias primas florestais, afetando também a biodiversidade e o estoque de água subterrâneo.

Apresentadas algumas prováveis conseqüências das alterações climáticas para Roraima, baseadas em inferências sobre o relatório do IPCC que contempla dados gerais para a América do Sul, é importante provocar uma última questão: Como o desenvolvimento do Estado poderá seguir caminhos de precaução em relação a estas alterações climáticas que já vêm afetando os nossos recursos naturais, a economia e a qualidade de vida da população? Precisamos refletir e criar soluções responsáveis para o futuro. Se observarmos bem, ele já está se fazendo presente!

Autores:
Haron Abrahim Magalhães Xaud 1
Maristela Ramalho Xaud 1
Reinaldo Imbrozio Barbosa 2

1 Pesquisadores da Embrapa Roraima
2 Pesquisador do INPA


Para WWF, mundo precisará de ‘duas Terras’ para manter consumo

outubro 29, 2008

Relatório de ONG diz que demanda por recursos supera oferta em mais de um terço.

A demanda atual por recursos naturais ultrapassa em quase um terço o que o planeta tem condições de fornecer e, se continuar assim, em cerca de 30 anos o mundo precisará de duas Terras para que seja mantido o estilo de vida de seus habitantes. Essa é a conclusão da organização WWF no relatório Planeta Vivo 2008, preparado em conjunto com a Zoological Society, de Londres, e o Global Footprint Network.

De acordo com o documento, o atual nível de consumo coloca em risco a futura prosperidade do planeta com impacto no custo de alimentos, água e energia. “Se a nossa demanda por recursos do planeta continuar a aumentar no mesmo ritmo, até meados dos próximos anos 30 (década entre 2030 e 2040) nós precisaremos do equivalente a dois planetas para manter o nosso estilo de vida”, disse o diretor da WWF International, James Leape.

Os ambientalistas afirmam que o planeta está em direção a uma “crise de crédito ecológica”. “Os eventos dos últimos meses têm servido para mostrar que é uma tolice extrema viver além dos nossos meios”, disse o presidente internacional da WWF, Emeka Anyaoku. “A crise financeira global tem sido devastadora, mas não é nada comparado à recessão ecológica que estamos enfrentando”, afirmou.

Segundo Anyaoku, as perdas de cerca de US$ 2,8 trilhões sofridas pelas instituições financeiras com a crise – segundo estimativa recente do Banco da Inglaterra – são pequenas perto do equivalente a cerca de US$ 4,5 trilhões em recursos destruídos a cada ano.

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