Por Paulo Sousa Sarmento*, para o PSIU BIOLOGIA.
No Ocidente, as discussões ecológicas podem ser remontadas ao trabalho pioneiro de George Perkins Marsh, que lançou em 1864 o livro O Homem e a Natureza ou Geografia Física Modificada pela Ação do Homem, um dos primeiros textos a denunciar sistematicamente as agressões humanas sobre a natureza. De lá até agora muita coisa foi produzida e muita gente séria apareceu.
Podemos citar o nomes de Albert Schweitzer, Aldo Leopoldo, Arne Naess, Gregory Bateson, Rachel Carson, James Lovelock, Carl Sagan, Fritjof Capra, Al Gore, além de muitos outros. Mais recentemente, dois trabalhos chamaram atenção: o livro de Rachel Carson, Silent Spring (Primavera Silenciosa), publicado em 1964, e o filme de Al Gore, An Inconvenient Truth (Uma Verdade Inconveniente), lançado em 2006. Ambos os trabalhos tiveram grande repercussão, bem como chamaram atenção para os graves problemas ecológicos pelos quais passavam o planeta.
O livro de Carson denunciava o uso discriminado de pesticidas, particularmente, do DDT, veneno extremamente nocivo, ainda utilizado hoje, inclusive em muitos lugares do Brasil, e em muitos países pelo mundo afora. Carson mostrou que o uso indiscriminado dos pesticidas estava fazendo com que diversas formas de vida desaparecessem, por isso mesmo o título do livro referir-se ao silêncio da natureza. A primavera foi silenciada, pois não há mais pássaros, grilos … O filme de Al Gore denuncia os problemas relacionados diretamente ao aquecimento global. É uma visão catastrófica e apocalíptica de nosso futuro. Pessimista e ao mesmo tempo eivado de esperança, o filme mostra de forma clara qual nossa condição atual e o que poderá ser nosso futuro, caso alguma coisa não seja feita urgentemente.
Estamos falando de um problema sério e de gente séria, que realmente quer que as coisas sejam diferentes. Muita gente vem utilizando a questão ecológica para auto-favorecimento. Tem gente que quer vender livro, existem empresas que querem atrair clientes com o apelo ecológico, e por ai vai. Vez por outra, vemos propagandas apelativas na televisão, no rádio, nas revistas. Será que realmente essa gente está interessada em salvar o planeta, ou é apenas mais uma via para o acúmulo exacerbado de capital? É preciso ter muito cuidado com o que se tem apresentado sob o rótulo de ecológico. Existe muito lobo vestido com pele de cordeiro.
O modismo ecológico é muito perigoso, pois é enganoso. Contribuímos e pensamos que eles estão fazendo algo em prol da natureza e do planeta, quando na realidade tudo acaba sendo revertido para o bem próprio. É preciso que os governos de todos os cantos da Terra investiguem as ações travestidas de ecológicas, mas que são essencialmente destrutivas. Por isso, eu e você podemos investigar e denunciar. Nosso compromisso com a salvação do planeta é muitíssimo sério. A questão ecológico traz em seu bojo um caráter ético, indubitavelmente. Por isso mesmo, encontraremos nesta arena muita gente anti-ética. Portanto, se você não consegue ser minimamente ecologicamente correto, não seja ecologicamente anti-ético.
A natureza e o planeta agradecem.
*Mestre em Ciências Sociais, UFBA; Professor de História e Filosofia da Ciência na Faculdades Cathedral.